"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

"A minha intimidade? Ela é a máquina de escrever. " Clarice Lispector

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pousse à la femme (Empuxo-à-mulher)

Ao passo que sobe o elevador...
é leve a dor ou ela eleva?
a cada andar, até o oitavo.
Impasse - tantos espelhos!
Eleva a dor ou ela é leve?
Leves cabelos
Leves andares
Ao passo que a nudez 
se descabela, e a beleza dela 
é bela - impasse!
Não se nasce
mulher - mas também Elo
sê-lo ela, também ela sê-la
s(elo) - postal - carta
sem endereço
senão o próprio sexo
sem nexo - espelho convexo
deslocaliza, desfoca, desvaria
estranho sentido - entranhas
sem razão, faz coração
ser hipérbole
 -   estranho   -
conforme as leis
   sem leis
 do empuxo.

(Raquel Amarante)


Pintura do Gustav Klimt -  "Water Snakes II"







sábado, 19 de março de 2016

Versos soltos no espaço

Sou uma chuva de paradoxos
que chove e seca os céus e terras.
Céus e terras é tom tão religioso...
que me regenero em ser barroco.
Tão apegado ao deus-tempo
Tão flagelado pelas horas que se repetem.

Sou Maiusculamente Romântica
Sentimental, escapista, do ideal.
Namoro o medo do amor, mal secular...
Inatingível. Confessional. Cá estou lá...

Meu realismo é tão psicológico
que vago pela imensidão de motivos
e compreendo demais quem amo
e quem não amo.
Perdoo antes do erro.
Conserto o que não está quebrado.
Estou me curando desse assédio à perfeição
E não pontuo mais direito
Não grafo direito, não faço desenhos parnasianos.
O modernismo me trouxe à desconstrução
Sou um prédio em ruínas de estruturas sólidas...
Calcadas no Bom, no Belo e Verdadeiro.
Tenho sintomas de equilíbrio.
Tenho breves estados ébrios
Tenho ferozes causas!
De tantas poesias e prosas,
me endereço feito carta
ao universo  desconhecido
Sou eu e o mundo
jogados no espaço
e a alteridade das estrelas...


(Raquel Amarante)

domingo, 17 de janeiro de 2016

Mercúrio retrógrado e a chuva (Composição: samba)

Vem quando quiser,
mas vem!
Vem quando quiser,
mas vem!
A peleja diária
de quem não te tem
que lava a pele
com lágrimas
que colhe poeira
nas rugas da terra Árida
é a vida
de quem não te tem.

Vem quando quiser,
mas vem!
Vem quando quiser,
mas vem!


Nos céus o retorno
de quem comunica que vem,
se hospeda, fica à  vontade
a casa é sua meu bem.
Sei que não se limita
fala a linguagem fluídica
entra pra lá e pra cá
alguns dizem "você não convém!"
Eu te digo: Vem,
quando quiser,
mas vem!

Vem quando quiser,
mas vem!
Vem quando quiser,
mas vem!

:)





quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Como é triste realizar um sonho

como
é triste
realizar
um sonho.


concluir
o que                                                  de longe,
parecia in al cansável.

Mas que então,
tornou-se real.
e a realidade....
a realidade é dessas coisas cinzas
realidade é coisa urbana
nada mais concreto que o concreto
cidade é um trem perturbador
coisa que não sonha
coisa que não dorme

como é triste
realizar um sonho.

(raquel amarante)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Teimosia

Tomou algumas doses...
Só não contava
com uma lucidez
que insistia.

Literatura Detox pra Janeiro

Estou um pouco atarefada
abarrotada, longe...
Foi Paulo Mendes Campos
Emily Dickinson, Cacaso.
Antero de Quental já limpou
o meu quintal
                            [misterioso...
Impossível falar de mistérios
sem citar Aquela Pessoa, O Fernando!
fernando não é nome de poeta
um mergulhador
                               [viciado em lista telefônica.

Estamos gastos
Precisamos de coisas breves e leves
Coisas curtas de Alice Ruiz
para Leminski e
de Leminski
para Alice.

O verão já chegou fritando óvulos
Verão que as palavras refrescam as ideias...
#bonsdrinks

(Raquel Amarante)




domingo, 6 de dezembro de 2015

Solicitação em anexo

Permita-te te amar
menos e melhor
amar sem atropelos.

Diminuir os batimentos
A pressão arterial.
As cartas. Os selos.

Permita-me o banal
O todo dia, o rotineiro
Minhas tranças, teus pelos.

Se achegue na minha história
Na minha memória e desassossego.
Permita-me te amar

Permita-me.pdf
Permita-me.doc
Permita-me.jpeg

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SETE

Salomão era rei
Nem se importava!
Pois namorava, dentre todas
Aquela - que não se enamorava.
Que relação mais bonita
quando não se tem posse de nada...
Certas coisas se dão
sem pressão, nem esforço
Como um contemplar de rosto
E o céu da estrada...
A ciência conta a areia
A sabedoria sente as arestas
Viajar pelo céu é científico
Viajar pelo sou é clareira
Só se chega ao céu mesmo
por um único veículo...
Foguetes não vão muito longe
O universo é um espiral a esmo...
O sentir tem um gosto cíclico
Somos o que em nós se esconde.
A saber...
Dor
Ria!

(Raquel Amarante)

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